09/03/2022 0 comentários

A beleza das vitórias-régias, planta aquática típica da região amazônica, foi o que levou a ex-marinheira mercante Dulce Oliveira a utilizá-las para formar um jardim diferente em frente à casa dela, no Canal do Jari, braço do Rio Amazonas, no município de Santarém, no oeste do Pará.

Em 2014, a ex-marinheira mercante foi morar na comunidade de várzea junto com o esposo, que é natural da região. E ao chegar lá, surgiu a ideia de plantar a vitória-régia para enfeitar a frente da residência do casal. Mas as coisas foram tomando uma proporção muito grande e o espaço começou a virar atração turística para todos que decidiam visitar o Canal do Jari, distante 23 quilômetros da zona urbana de Santarém.

Mas só o jardim não bastou para Dulce, que começou, por conta própria, a estudar a planta e experimentá-la como base para receitas gastronômicas.

“Antes, eu já havia estudado um pouco sobre ela, mas o plantio mesmo começou em setembro de 2014. Me casei com um nativo, seria muito difícil levá-lo daqui, então resolvi me mudar para cá. Começamos a cultivar a vitória-régia e percebi que os animais se alimentavam da planta", explicou a empreendedora, dona do Jardim das Vitórias-Régias.

Os testes de Dulce resultaram, até agora, em 20 receitas. Entre elas, rabanada, tempurá, vinagrete, quiche, pipocas e até as “vitórias-chips”, como as batatas-fritas, só que produzidas a partir das plantas amazônicas. Até conserva já é produzida com as vitórias-régias. E o melhor, a cozinheira usa praticamente todas as partes da planta em seus experimentos gastronômicos. Caule, folhas, flores, sementes. Tudo vira um prato delicioso nas mãos de Dulce.

Atualmente, Dulce conta com 134 vitórias-régias adultas e mais 89 mudas em seu jardim. A planta amazônica é cercada de misticismo, pois de acordo com uma lenda indígena tupi-guarani, a vitória-régia nasce a partir do desejo da deusa Jaci, que transforma a índia guerreira Naiá, que havia perdido a vida, na primeira “estrela das águas”.